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Sou artista e pesquisadora. Meu trabalho investiga como máquinas e materiais inertes podem parecer vivos, aplicando princípios do teatro de bonecos e da animação a drones, robôs e mecanismos. Expus no ZKM (2017), no Papier Fest (2019) e no Printemps Numérique (2019). Sou doutora pela Universidade Concordia (Canadá) e fui bolsista Marie Curie na UCLouvain (Bélgica), onde criei Isabella’s Flight, um sistema de teatro de bonecos com drones. Atualmente, sou pesquisadora convidada na Universidade de Brasília, onde desenvolvo uma investigação sobre a expressividade narrativa dos drones.

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O que faz algo parecer vivo? A aparência explica pouco. Um robô com rosto humanoide pode parecer menos vivo do que um travesseiro nas mãos de um bonequeiro. Meu trabalho acontece nesse território entre o objeto e o personagem, no instante em que a máquina deixa de parecer máquina.

Minha referência principal é o teatro de bonecos, uma arte que, há séculos, sabe animar o inanimado. Levo esse conhecimento para máquinas como drones, robôs e mecanismos. A tecnologia não vem para substituir as técnicas tradicionais, mas para ampliar suas possibilidades.

Em Isabella’s Flight (2021–2024), realizado na UCLouvain com bolsa Marie Curie, drones se tornaram personagens com personalidade, emoções e modos próprios de pensar. Antes disso, investiguei a mesma fronteira por outros caminhos. Em ROBOT LUDENS, máquinas oscilam entre parecer vivas e mortas. Pict.io é um jogo de desenho em que humanos e máquinas criam juntos.

Hoje, na Universidade de Brasília em parceria com a engenharia elétrica, pesquiso a expressividade narrativa de drones a partir de movimentos essenciais: quão pouco é preciso para que um deslocamento no espaço pareça uma intenção.

Há quinze anos desenvolvo projetos de pesquisa-criação na fronteira entre artes, ciência e engenharia, muitas vezes como coordenadora geral e diretora artística, em colaboração com engenheiros, físicos, pesquisadores de mídia e outros artistas. Na universidade, busco aproximar esses campos e torná-los mais acessíveis a grupos sub-representados, criando situações em que estudantes de áreas diferentes aprendem juntos por meio de arte, jogos e protótipos.